Atrai ou trai?  escrito em sábado 03 abril 2010 21:37

Leio na Folha Online que o PV (se eu deu uma definição para essa sigla cretina, serei chamado de preconceituoso) atrai filiados após a entrada de Marina Silva, o Duende da Mata Perdida, na legenda. Creio que quem redigiu o texto cometeu um equívoco.

O PV não atrai, mas sim trai.

Trai é uma palavra mais apropriada para um partido sem ideologia - ou melhor, prostituído ideologicamente - como PV, que namora com o governo Lula e o PT, no plano federal, enquanto arreganha o rabo para os demos e tucanos nos Estados e municípios.

Na minha opinião, a capacidade de o PV atrair asseclas mundo afora está no ranço deixado em nossa sociedade pelos mitos religiosos, dentre os quais o de Adão e Eva talvez seja o exemplo clássico.

Para os verdes, o mundo que habitamos é fruto de algum ato divino de enunciação. O fato de espécies terem surgido e desaparecido antes de mesmo de nossa espécie ter surgido sobre a terra não significa nada para esses pobres coitados. Em suma, são criacionistas, e do pior tipo: criacionistas ingênuos, ou pior, mal intencionados.

Voltarei a esse assunto adiante.

Quero deixar bem claro ao mundo porque desprezo o PV mais do que qualquer legenda surgida na face do globo.

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Bento Carneiro se estrepa  escrito em sábado 03 abril 2010 21:25

Blog de demasiadohumano :Demasiado Humano, Bento Carneiro se estrepa

Durou pouco a alegria de Bento Carneiro, o Vampiro Candidato. A pesquisa divulgada hoje pelo Vox Populi no Jornal da Band (que, convenhamos, nem de longe poderia ser considerada afinada ao governo Lula e ao PT) mostra Dilma, nossa futura presidente, praticamente empatada com Nosferatu. Ela já passou a barreira dos 30%.  

Devemos levar em conta que, nos últimos dias, o eleitorado esteve sujeito a um verdadeiro bombardeio midiático dos tucanos, com inúmeras chamadas na TV aclamando a figura abjeta de José Chirico. Isso sem contar as inserções de minuto a minuto do "São Paulo cada vez..." ou do "Governo de... trabalhando por você".

Isso é a prova maior de que a Justiça brasileira nada tem de imparcial. Mês passado, quando Dilma estava em franca ascenção em todas as pesquisas de opinião, o TSE proibiu a veiculação em São Paulo de inserções focadas na figura da ex-ministra da Casa Civil.

Fico me perguntando por que o TSE não toma medida semelhante em relação à farra que o governo paulista do PSDB tem feito em todo o País, usando para isso o dinheiro dos contribuintes...

Se as regras de nossas eleições fossem justas, Dilma já teria passado Bento Carneiro há um bom tempo.   

 

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Ninguém!  escrito em sábado 02 janeiro 2010 23:56

Blog de demasiadohumano :Demasiado Humano, Ninguém!

Quem ainda está na faculdade, certamente conhece bem essa situação que irei descrever a seguir.

Anos atrás, eu procurava um estágio para poder bancar minhas contas enquanto ainda não estava formado. Quando você está numa universidade - e ainda por cima é jovem e cheio de energia -, o que não faltam são opções para você se divertir. Só que tudo é  pago. Como dizem os antigos, de graça, nem o galo quer saber mais de cantar.

Um belo dia, no mural de estágios da ECA, eis que encontro um anúncio que parecia ter sido redigido especialmente para mim.

Tratava-se de uma vaga de estágio para estudante de jornalismo numa empresa que atuava na área da saúde. Enviei meu currículo e fiquei aguardando. Dias depois, um cara me ligou, perguntando se eu estava a fim de participar da seleção que ocorreria na semana seguinte.

E lá fui eu. Quando cheguei ao local, havia mais três pessoas esperando ser chamadas. Nenhuma era estudante de jornalismo. Elas iriam disputar outras vagas.

Notei que o goiabinha do RH da empresa ficou um tanto decepcionado quando deu de cara com o pequeno (porém seleto!) grupo de candidatos que se colova à disposição das garras do grande capital.

Em todo caso, resolveu levar adiante o processo seletivo. Primeiro, pediu que nos apresentássemos e disséssemos por que motivo estávamos ali naquele dia.

Todos deram aquelas respostas padrão, do tipo: "Quero muito crescer enquanto ser humano e profissional, de preferência nesta empresa que é reconhecida no mercado por sua qualidade".

Confesso que também me saí com uma dessas.

Depois, o goiaba pediu que participássemos de uma dinâmica de grupo. Deveríamos pegar uns materiais (giz de cera, papel crepom, lã, feltro, lantejoulas) e colar numa cartolina. O objetivo era tentar demonstrar a forma como encarávamos o mundo.

Evidentemente, o meu trabalho ficou um desastre. Para contornar meu fracasso artístico, tentei justificar dizendo que eu via o mundo atual como uma grande confusão.

De fato, se não estou enganado, aquele foi o ano em que os Estados Unidos invadiram o Iraque sob o pretexto de que o miserável país árabe escondia armas de destruição em massa. Mas, quem liga para isso, no mundo corporativo?

O goiaba resolveu, então, indagar-nos a respeito de nossas convicções pessoais e de nossas crenças profissionais.

Na minha vez, ele veio me perguntar quem, entre nossos grandes jornalistas, poderia ser considerado um modelo profissional para mim?

"Ninguém", respondi.

"Como assim? Você não admira nenhum de nossos jornalistas?", retrucou o goiaba, perplexo.

Adivinhem se consegui a vaga? - sobretudo depois que, ao responder a questão seguinte, critiquei a submissão do governo brasileiro aos organismos financeiros internacionais.

Hoje, refletindo bem sobre essa passagem de minha existência, fico feliz por ter tido a coragem de dizer aquilo que pensava.

Ainda acredito que não há jornalistas no Brasil dignos de ser admirados.

Primeiro, porque jornalista não pode ser grande nem admirado. Tem de ser discreto. Nossa profissão é de formiguinha, não de pavão.

Uma das maiores desgraças do jornalismo foi essa história de jornalista querer ser maior do que a notícia que veicula.

Por outro lado, penso que os jornalistas brasileiros, principalmente os mais badalados, não merecem um pingo de respeito nem do mais reles e desprezível dos seres humanos que já puseram os pés neste mundo infeliz.

Alguém que se curva como lacaio para a fina flor do atrasado de nossa sociedade não merece o respeito de ninguém, quanto mais a minha admiração, que só é destinada a pessoas de fato honradas.

Gente que ganha a vida fazendo o jogo sujo daqueles que lucram às custas da desnutrição de nossas crianças e da miséria de nossos trabalhadores só merece o meu desprezo.

São parasitas travestidos de jornalistas, vermes com devaneios grandiloquentes. Acreditam que são capazes de controlar as mentes dos pobres mortais. Utilizam um instrumento que deveria ser de transformação social para perpetuar as injustiças.

Naquele dia, depois da entrevista, fiquei matutando, matutando... É que eu gostava demais de ler as matérias do Ricardo Kotscho. Tinha a impressão de que ele sim jogava do lado dos mais fracos.

Lembro de ter lido vários textos em que ele dizia que o jornalista deve sempre estar do lado dos mais fracos.

Meses atrás, porém, Kotscho me decepcionou, quando chamou de vândalos, em seu blog, os sem-terra que ocuparam a monocultura da Cutrale, em Areiópolis (SP).

Nunca imaginei que ele pudesse ficar a favor de uns dos maiores crápulas do agronegócio brasileiro(perdão pelo pleonasmo), o senhor José Luís Cutrale, grileiro de terras públicas (como as que os sem-terra ocuparam em Areiópolis) e detentor de 30% do comércio mundial de suco de laranja.

A menos que, é claro, Kotscho considerasse que os pés de laranja indefesos (foto) derrubados pelos sem-terra fossem o lado fraco da história.

Inicialmente, fiquei meio chateado pelo fato de Kotscho ter se bandeado para o lado dos grandes grileiros de terras públicas. 

Depois, lembrei-me de que ele teve uma carreira de destaque em diversos jornalões brasileiros, órgãos que sempre estiveram alinhados com o que há de mais atrasado em nossa política. 

"É. Ele bem merece ter a fama que tem", admiti.

Descanse em paz, meu antigo ídolo. Você bem mereceu ser esquecido naquele dia.      

 

  

 

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A personificação de nosso atraso  escrito em sábado 02 janeiro 2010 23:07

Certa vez, há alguns anos, um amigo me convidou para dar uma entrevista em seu programa numa rádio comunitária de Reginópolis. Muitos de vocês talvez nunca tenham ouvido falar dessa bela cidadezinha do Interior de São Paulo. É bem verdade que, por muito tempo, Reginópolis pertenceu a Iacanga. Era conhecida como distrito de Batalha, em homenagem ao rio de mesmo nome que corta a cidade ao meio.

A entrevista versaria sobre jornalismo, área em que eu acabara de me formar, mas que ainda pouco conhecia. Naquele tempo, nem empregado eu estava. Por outro lado, acredito que conseguia arranhar razoavelmente a parte teórica da coisa. Levando-se em conta que meu entrevistador não era nenhum Alberto Dines, resolvi topar a parada.

O camarada perguntou de tudo: Hebe, Sílvio Santos e Jô Soares (ídolo máximo do entrevistador; por sinal, meu amigo tentava  imitar o gordo chato a todo instante, só atingindo seu objetivo nas inúmeras vezes em que foi sem graça); menos a respeito de jornalismo.

De repente, ao final da entrevista, eis que ele me fulmina com uma pergunta a respeito do Boris Casoy. Nem me lembro muito bem qual foi a questão. Só me recordo que meu amigo tentava, de certa forma, enaltecer essa figura abjeta e rançosa, talvez a maior personificação do atraso de nossa imprensa e mesmo da cultura nacional.

Sim, pois só num país extremamente atrasado em termos culturais, aquele ser embolorado e de linguinha arrebitada poderia receber espaço privilegiado em uma grande rede de TV aberta para falar asneiras impunemente. Fosse na Holanda ou na Itália (vejam que não me refiro a Holambra nem Itatiba, como na propaganda do Serra), esse cidadão seria visto como um pobre coitado consumido pelo rancor e pela senilidade. Talvez abrissem alguma brecha para ele numa TV em circuito fechado voltada para os moradores de Higionópolis e dos Jardins.

No Brasil, porém, Boris Casoy é tratado como o supra-sumo da inteligência desviante, um intelectual orgânico que não se curva aos denaveios autoritários do retirante de nove dedos. 

Pode até xingar coletores em lixo e referir-se a eles, em rede nacional, como "o mais baixo da escala do trabalho".

"Dois lixeiros..." 

É assim que o "Ranço" se refere a dois trabalhadores, dois cidadãos honestos que exercem uma função essencial em nossa sociedade hipócrita e consumista. 

"Do alto de suas vassouras", eles recolhem o lixo que os porcos imundos espalham pela cidade. Tornam mais aceitável nossa miserável existência. 

Para quem não sabe, na edição do dia 1 de janeiro de 2009, o Jornal da Band veiculou uma série de mensagens de "Feliz Ano Novo" vindas de brasileiros comuns. 

Após uma reportagem sobre a Mega Sena, "Ranço" chamou o intervalo. Apareceram, em seguida, dois garis com sotaque nordestino que desejavam "Feliz 2010" e muita saúde e paz aos telespectadores. Aparentavam ser muito simpáticos e irradiavam alegria, do alto de suas vassouras. 

A vinheta do intervalo entrou, mas "Ranço" não percebeu que o áudio do estúdio ainda estava no ar. Passou a comentar uma série de impropérios sobre os garis com um outro babaca que estava no estúdio, provavelmente Joelmir Betting, o pai de Míriam Leitão. 

Os leitores podem conferir a "gafe" no vídeo ao lado. Não é à toa que o senhor Ranço destila tanto ódio contra os movimentos sociais em seus comentários. Não é por acaso que esse miserável tem tanto rancor contra o presidente da República, um nordestino pobre que, do alto de suas ferramentas de trabalho, conseguiu atingir o ponto mais alto na escala da política mundial. 

Antes que alguém me chame de desconexo, vou dizer o que respondi ao meu amigo naquela entrevista. "Ranço" acabara de ser demitido do canal onde trabalhava (para ser sincero, nem me lembro direito qual era). 

A resposta foi mais ou menos esta: "Boris Casoy é um sujeito muito sem graça. É um chato de galocha. Seu estilo é ultrapassado e ele não passa de um falso moralista. Assistir aos comentários dele me dá azia.  Acredito que ele foi tarde (sobre o fato de ter sido escurraçado da outra emissora). Tomara que nunca mais consiga emprego. Já passou da época de ele se aposentar."

Mantenho minhas palavras e não acrescento ou tiro uma vírgula que seja. 

PS: Se houvesse alguém com culhão na diretoria da Bandeirantes, o "Ranço" já estaria no olho da rua. É evidente que nada acontecerá a ele, já que seus patrões pertencem à fina flor do atraso da sociedade brasileira e certamente comungam de suas ideias torpes. 

     

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Maldita Internet  escrito em sexta 06 novembro 2009 20:09

Problemas técnicos têm impedido que este arauto da imoralidade escreva com mais freqüência a vocês. Pode ser que eu mude o site onde este humilde blog está hospedado. Se é que alguém ainda se arrrisca a olhar este site.

Para quem achava que eu havia morrido, eis-me aqui. Espero aparecer com mais freqüência, seja aqui ou em outro endereço. 

Abraços a todos.  

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